Diferenças Culturais, parte dois

O terceiro mês foi um dos mais difíceis. Posso dizer que foram os três meses mais rápidos da minha vida. Tenho adorado o intercâmbio e morar aqui na França fazendo graduação numa Escola de Arquitetura estava sendo difícil mas ao memso tempo agradável e prazeroso.

Acho que o terceiro mês é um dos mais tênues de um intercâmbio na Europa. Por que? É mais ou menos a época em que o frio começa a chegar (a maioria dos dias aqui tem sido nublado, a cidade fica cinzenta e tudo é mais frio do que de costume, cheguei a pegar – 11 graus…). Você começa a sair com menos frequência na mesma intensidade que o volume de trabalho na faculdade começa a aumentar, numa escala que eu nem podia imaginar.

Dia de neve em Toulouse (meados de janeiro)

É nesse momento que bate a saudade da família, dos amigos, da língua, enfim, da cultura. Mas eu sabia disso (fui alertado por intercambistas na minha universidade) e vim proposto a descobrir essa nova experiência, eu sabia que passaria por esses momentos. No fundo eu já esperava por isso e havia tentado compreender a situação e as diferenças culturais pra não  entristecer.

Em relação à faculdade senti dificuldade dentro do projeto de arquitetura. Na minha faculdade no Brasil,  a partir do segundo ano, trabalhamos em dupla ou em grupo. Já aqui na ENSA Toulouse os alunos trabalham, em geral, em dupla no começo (primeiro mês) e depois o trabalho é individual. Ou seja, a quantidade de trabalho com a qual estava acostumado dividir, aqui tive que fazer tudo sozinho.

No meu ponto de vista a quantidade de trabalho foi maior em função disso. Existem grandes diferenças sobre alguns aspectos, mas como todo mundo deve imaginar, elas são mais em relação às diferenças sobre o “saber técnico” (materiais e técnicas construtivas utilizadas em função de um determinado país/cultura) oriundas de cada região, diferenças metodológicas de ensino, diferenças culturais, e nesse último aspecto é onde some qualquer diferença. Posso parecer contraditório, mas vou me explicar: apesar de existir diferenças culturais nítidas entre Brasil e França,  nossa profissão visa dar uma resposta espacial a um contexto socio-cultural, isso quer dizer que independente do país onde você estiver, se você souber compreender a cultura (primordial para qualquer arquiteto) você será capaz de fazer um projeto de arquitetura.

Algo que achei difícil foi em relação aos professores. Eles são extremamentes críticos e exigentes e eles não medem palavras para julgar seu trabalho, parecendo às vezes onfensivos. Gostei de conversar com alguns alunos sobre isso e pude perceber que tudo é feito para possibilitar ao aluno uma melhor compreensão e desenvolvimento sobre seu trabalho. Porém esse excesso de críticas às vezes pode ser prejudicial pois pode lhe deixar perdido algumas vezes e também desistimular para dar continuidade ao trabalho (na minha sala de projeto uma francesa estava pensando desistir do curso de arquitetura e ouvi histórias de que no ano passado algumas pessoas saíram do curso em função disso – tudo dentro do mesmo projeto que fiz). Mas descobri que havia alguns problemas dentro do projeto que escolhi mas que não entrarei no mérito da questão.

Sobre a pessoa com a qual trabalhei no início do projeto, acho que eu não poderia ter escolhido melhor. Apesar da escolha ter sido aleatória, acabei fazendo dupla com uma garota extremamente francesa (risos). Foi difícil no começo, mas devido às diferenças culturais que eu ainda não podia compreender muito bem, não entendia direito o que estava acontecendo. Ela sempre era muito formal, falava somente de trabalho comigo e raramente tocávamos em outros assuntos. Com o tempo pude conhecê-la um pouco e também compreendê-la melhor. Uma coisa que os franceses sabem fazer muito bem é distinguir vida pessoal de vida profissional, vez ou outra pode acontecer uma amizade devido à proximidade e tudo  o mais, mas não foi o caso. De toda maneira, não a estou criticando negativamente, gostaria ainda de deixar claro que recebi bastante ajuda e apoio dela para fazer meu projeto e que se não fosse ela, talvez, eu não teria o desempenho que tive.

Primeira apresentação de projeto, Logement et Quartier Durables (Habitação e Bairro sustetáveis). Os outros estudantes não apareceram porque estavam atrás da camera...

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Coco e pêssego (Diferenças Culturais)

Um dia estava em Juiz de Fora com um amigo (que veio da Alemanha) e estávamos discutindo diferenças culturais entre brasileiros e europeus em geral.

Todo mundo diz, inclusive eu também dizia, que brasileiros são abertos. Mas vejo que isso não é de fato uma verdade (e claro que não estou criticando negativamente nossa cultura, somente constatando fatos de acordo com a minha percepção).

É difícil fazer uma amizade aqui na Europa porque as pessoas são mais reservadas.
Nunca espere nada além de educação e gentileza de uma pessoa por aqui. Se você conhecer alguém, isso não é sinal de uma futura amizade e talvez essa pessoa nem te cumprimente mais nas próximas vezes em que você a ver.

No Brasil é normal que as pessoas sejam simpáticas e abertas já de início, mas dificilmente você poderá entrar dentro de um círculo familiar. É mais fácil as pessoas te convidarem para sair e beber no nosso país, você poderá se socializar mais, mas será extremamente difícil entrar numa família brasileira como você poderá fazer na europa. No Brasil, amizade desse tipo você terá somente com seus amigos de infância, e ‘olhe lá’.

Aqui você demorará para fazer uma amizade mas quando você fizer, em geral, a pessoa que se tornou seu amigo será sua família. Você poderá contar com ele para os bons e os ruins momentos. Quando ele te convidar para ir à sua casa, fique a vontade para abrir a geladeira, preparar um lanche, tomar uma ducha ou lavar suas roupas junto com as da família. Eles poderão te convidar para sair para esquiar, por exemplo, ou mesmo para conhecer a região. Ao fim do dia, você toma uma ducha (sim, eles tomam banho, mesmo no inverno) e depois vai dormir. Se você estiver cansado e no dia seguinte acordar depois de todo mundo, não tem problema nenhum.

Estação de Esqui, Couterets
Convite que recebi de meus amigos para esquiar em Couterets

A cultura brasileira é como se fosse um pêssego e a família a semente, você pode entrar na fruta mas não conseguirá penetrar a semente. A cultura europeia é como se fosse o coco e a família a parte branca. É difícil penetrar, mas quando você o fizer, é como se você fizesse parte da família.

Sobre a culinária: Durante o almoço e o jantar, duas fortes tradições, todo mundo se junta à mesa, come lentamente e conversa muito. O ato de comer aqui na frança é uma tradição praticamente sagrada. Hoje consigo compreender o porquê da culinária francesa ser tão conhecida. Além de tudo isso as duas principais refeições, almoço ou jantar, são compostas de 4 a 5 momentos: um prato de entrada (em geral uma salada com um molho ácido bem forte), um prato principal (uma carne e um acompanhamento) e quando começa a chegar ao fim chega o momento de comer queijo (de vários tipos: comté, gouda, bribes, camembert, rockefort, gorgonzole…) – fique a vontade para comer pão durante qualquer um desses momentos – e ao fim, a sobremesa: uma torta de uma fruta local ou iogurte com geleia de alguma fruta da região). E claro que em todos os pratos você beberá um vinho de excelente qualidade – e que não custa praticamente nada – ou água (para não interferir no sabor do que você está comendo). É legal ver como as pessoas aqui valorizam sua própria cultura e tornam da refeição um momento de prazer. Os poucos momentos que pude compartilhar disso, foram até agora os melhores momentos fora da faculdade e que me perimitem compreender um pouco mais da cultura francesa.

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Cité Universitaire Chapou

Toulouse tem como Ensino/Pesquisa um dos principais pôlos de atividades. A Universidade de Toulouse possui por volta de 94 mil estudantes dos quais cerca de 14.500 são estrangeiros (dados de 2010 do site da Universidade de Toulouse) e os outros são franceses vindos de toda a França ou mesmo da região – aqui é bem recorrente encontrar estudantes de todo o país que vieram morar na cidade em função da universidade (fato que também ocorre bastante no Brasil). Fica bem claro que existe uma necessidade por moradias para atender a essa demanda específica.

Uma das maneiras encontradas para responder a essa demanda foi a construção de edifícios, que são bem comuns por toda a França. São chamados de Cité Universitaire e Residence Universitaire - em bom português Alojamento Universitário e Residência Universitária (tradução livre). A diferença entre os dois tipos é basicamente o tamanho, enquanto os alojamentos (quartos) possuem 9 m² as residências (quitinetes) possuem entre 16 e 20 m².

No caso de estudantes em mobilidade acadêmica de relações entre instituições Brasil/França, a seleção para ficar num desses alojamentos é feita pela instituição que irá te receber (você receberá o documento de admissão junto com a carta de aceitação). No meu caso fui selecionado para ficar na Cité Universitaire CHAPOU.

Mapa Indicativo

Foto da entrada (veja no mapa indicativo "vous êtes ici")

A Chapou é formada por um conjunto de seis edifícios que abrigam por volta de 1200 alojamentos, contendo um anexo que inclui o MAC – na tradução da sigla para o português Casa de Atividades Culturais – e a Braserrie – uma espécie de lanchonete/restaurante. Além disso a Cité possui uma piscina, a lavanderia e uma administração/recepção.

Quanto aos quartos, eles possuem 3 tipos diferentes:

  1. Quarto reformado com frigobar, banheiro individual e cozinha coletiva (preço mensal de 223 euros);

    Cozinha coletiva

  2. Quarto reformado com frigobar, banheiro e cozinha individual (preço mensal de 223 euros);

    Foto da cozinha

  3. Quarto antigo com banheiro coletivo e sem cozinha (preço mensal 134 euros).

Quando recebi o documento de admissão em alojamento, já havia sido direcionado para um desses tipos de quarto e não sei bem ao certo se é possível mudar. Fui selecionado para ficar no primeiro tipo.

Escrivaninha

Frigobar, armário e mesa para refeição

Entrada

Estante e cama

Uma coisa que estranhei bastante foi o banheiro, ele é minúsculo, deve ter por volta de 2 m² no máximo, mas é extremamente funcional. E a configuração dele é a mesma que no Brasil. Digo isso porque aqui na França não existem banheiros como no nosso país. O que existe é a salle de bain (com pia e chuveiro) e o toilette (só com a bacia sanitária – para os íntimos, privada) e são dois cômodos diferentes.

Pia e sanitário

Chuveiro

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Um mês!

Há três dias que completou um mês que estou na França. Estou sumido do Blog novamente, muita coisa para fazer e também para me habituar, coisas que eu não precisava me preocupar… Mas enfim, vou fazer um breve resumo do primeiro mês:

A primeira semana:

O dia seguinte à minha chegada percebi que eu havia esquecido vários itens (que inclusive constavam na minha lista de ‘coisas a trazer’), os que fizeram mais falta:

  • travesseiro (um bom travesseiro na europa custa mais de 20 euros…);
  • fronha;
  • lençol;
  • cobertor ou edredón (um bom edredón pode custar mais de 30 euros…);
  • adaptador de tomada;
  • uma gramática para estudar a língua;
  • um guia de conversação para viagens em francês (a outra intercambista que veio da mesma universidade que a minha trouxe um da Publifolha)

Além disso, estava esquecendo que eu teria que comprar vários itens domésticos (copos, prato, talheres, panelas. despertador e uma infinidade de pequenas coisas para facilitar meu dia a dia…).

Durante a primeira semana fiquei por conta de resolver esses detalhes e ir à universidade me apresentar para o escritório de relações internacionais avisando que eu já estava na cidade (e para conhecer o caminho que eu deveria fazer até à École).

Onde comprar utensílios domésticos, roupas de cama, eletrônicos e eletroportáteis em Toulouse?

Existem dois supermercados que eu conheço aqui na cidade: Auchan (fica ao lado da última estação do metrô da linha A Balma Gramont) e Carrefour (existem dois, um maior que fica numa região mais periférica da cidade – e que eu não conheço – e um outro no centro, ao lado da estação do metrô da linha B Compans Cafarelli).

Existe também uma loja na Place Esquirol que se chama MIDICA e que possui a maioria das coisas que um intercambista precisa, fique atento aos preços e também à língua (no dia em que fui comprar um lençol – queria sem elástico – acabei comprando com elástico por não saber a diferença em francês. Num dos próximos posts farei um pequeno guia das principais utilidades em francês  que um intercambista necessita). Você também pode encontrar essas coisas nos supermercados Carrefour e Auchan, mas a variedade é menor.

Me aconselharam a comprar em outros dois lugares e que dizem ser barato (mas ainda não conheço): Leader Price e LidL

Eletrônicos e periféricos para eletrónicos você encontra na Darty (na Place Esquirol) e na Fnac (perto do ponto de ônibus Jean d’Arc – todos os pontos de ônibus e de metrô possuem um nome).

A segunda semana:

A segunda semana foi a semana de apresentação dos cursos da faculdade e da inscrição administrativa. Aqui na Escola de Arquitetura onde estou estudando, existem por semestre por volta de 5 temas de projeto com diferentes professores. Eles fazem uma apresentação do conteúdo para que os alunos decidam uma ordem de prioridade das disciplinas que gostariam de fazer. Fiquei em dúvida em qual ano me inscreveria, se no quarto (início do Master, ou no terceiro ano (final do ciclo License)  e depois de muito pensar acabei me matriculando no quarto ano por ver mais relação dos assuntos estudados com os meus interesses.

O quarto ano aqui funciona da seguinte maneira:

Curso/Aula: são 3 aulas diferentes (‘Du savoir technique au projet de logement‘, ‘Habitat social en Europe‘ e ‘Histoire de la cellule d’habitation moderne‘), com a mesma temática  e que vejo como um suporte para a compreensão do tema do projeto – Habitação;

Projeto: são 4 (ou 5) projetos diferentes com a mesma temática (Habitação) e que os alunos podem escolher a mais interessante segundo seu ponto de vista;

Seminário: uma espécie de trabaho final de graduação/curso (se for fazer uma comparação com os cursos no de arquitetura no Brasil). Existem por volta de 5 a 6 opções com temas variados (não necessariamente relacionado ao projeto). E os alunos escolhem um tema. Dentro do seminário escolhemos aquilo que gostaríamos de pesquisar para escrever um memorial (algo que me parece ser uma espécie de monografia). O assunto não precisa estar relacionado ao projeto,vno meu caso linkei parte do tema do projeto com a pesquisa.

Apresentação do professor responsável pela disciplina de projeto “Penser l’Habitat”

A inscrição administrativa: consiste na entrega das escolhas das disciplinas e no pagamento de duas taxas, uma de 16 euros – de seguro de responsabilidade civil – e outra de 203 de seguro social – uma espécie de seguro saúde aqui na França e que todos os alunos de fora da União Europeia são obrigados a pagar.

Além disso, havia outras pendências que fui resolvendo pouco a pouco em função do pouco tempo que restava além da faculdade na terceira e na quarta semana: abrir uma conta (me indicaram abrir no banco  La Poste – que também é o correio daqui), enviar os documentos ao OFII (escritório que carimbará o passaporte e dará validade definitiva ao visto), fazer um plano de celular, dar entrada com a documentação no CAF (uma ajuda no valor do aluguel do alojamento) e além de aprender a cozinhar…

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Há três semanas atrás, no aeroporto…

Primeiramente gostaria de me desculpar pela demora em postar, faz três semanas desde que cheguei (mais especificamente no dia 07 de setembro, acho que não havia data melhor e mais simbólica!). A demora em postar aconteceu por diversos fatores: ainda estava me adaptando a tudo, tive que me virar com muitas coisas aqui nos primeiros dias e aos poucos fui resolvendo o que ainda era necessário resolver – uma das últimas coisas que resolvi foi exatamente o acesso à internet e por isso estou podendo postar a partir de agora!

O dia da viagem foi muito conturbado, deixei para resolver muitas coisas na manhã véspera da viagem (meu voo estava marcado para o dia 6 de setembro às 19:20 no Aeroporto Galeão no Rio de Janeiro) e em função disso ficou faltando alguns detalhes dentro da mala, mas nada que eu não pude comprar aqui, consegui resolver praticamente tudo dentro das últimas três semanas (e tenho muita novidade para poder contar).

Para poder chegar ao aeroporto combinamos, entre eu e uma outra intercambista, alugar uma van para irmos com nossas famílias. Como moro em Juiz de Fora  (cidade que fica a aproximadamente 180 km do Rio de Janeiro) precisávamos estar no aeroporto às 16:20 no máximo para evitar os contratempos com o check-in e o despacho da bagagem – inclusive aqui vai a primeira dica:  se puder fazer o check-in online, faça! Isso lhe poupará tempo dentro do aeroporto e você não precisará enfrentar a fila kilométrica para fazer isso por lá – no meu avião aconteceu o chamado overbook (termo que é utilizado quando a companhia aérea vende mais passagens do que a quantidade de vagas disponíveis no avião) e inclusive me ofereceram, na hora de despachar a bagagem, uma viagem pela TAM entrando diretamente por Paris para o dia seguinte, mas recusei a oferta.

É de extrema importância chegar cedo no aeroporto – com no mínimo 3 horas de antecedência - para evitar qualquer transtorno.

Feito o despacho da bagagem ficamos conversando com nossas famílias mais um pouco, até chegar o momento da despedida… Sim, eu estava com minha família, no conforto do meu país e da minha língua, vários pensamentos passavam pela minha cabeça – a gente sempre idealiza tudo e imagina “como vai ser”, mas só descobrimos de fato como será enquanto vivemos o que há momentos atrás só podíamos tentar imaginar…  Momentos depois eu estaria longe de tudo isso, tudo era (ainda) muito surreal: outras pessoas, outro país, outra língua, outra cultura… Por fim eu disse: até breve!

No aeroporto encontramos com vários intercambistas (fomos todos sentados em poltronas lado a lado, acho que a coincidência se deu pelo fato de todo mundo ter comprado a passagem aérea na mesma agência).

Foto dos intercambistas da Arquitetura, dentro do voo para Barajas - Madrid

Nosso voo foi feito pela Iberia e por consequência nossa conexão foi feita no aeroporto de Barajas, em Madrid. Voamos durante 9 horas e quando chegamos à Bajaras passamos pelo controle de imigração. A senhora que me atendeu pegou o meu passaporte olhou para o meu rosto, em seguida para a página do visto, carimbou o passaporte e nem me perguntou nada. Depois fomos para uma área onde tivemos que tirar tênis, tudo que estava no bolso, mochila, cinto e depois passar por um dector de metal.

Cobertura ("teto") do aeroporto de Barajas - Madrid

Esperando pelo voo Madrid/Toulouse

Após tudo isso, esperamos por volta de 2 horas no aerporto em Madrid para pegar o voo direto para Toulouse (enquanto entrava no avião, vi dois funcionários colocando minha mala no voo para Toulouse – isso me tranquilizou muito, todo mundo já ouviu notícias de malas extraviadas…). Sobrevoamos os Pirineus e enfim chegamos à Toulouse.

Foto de dentro do avião dos Pirineus

Quando chegamos ao aeroporto de Blagnac em Toulouse, fomos à agência do Tissèo (responsável pelo transporte urbano da cidade) para fazer nossa Carte Pastel (cartão Pastel) para podermos usar o transporte público da cidade: é necessário pagar uma taxa de 6 euros pela emissão do cartão (junto com uma foto 3×4 que lhe será devolvida) e mais uma taxa de 10 euros – para pessoas entre 12-25 anos – para utilizar o sistema de transporte da cidade durante 31 dias (você também pode pagar a taxa anual, que sai por 100 euros). E sim, o transporte público aqui custa somente isso (acredito que a outra parte venha dos impostos dos contribuintes, mas é só um palpite) – você pode pegar quantos ônibus/metrôs  precisar (somente da empresa Tisséo).

Entrada principal do aeroporto de Blagnac, Toulouse

Outra curiosidade é que não existe trocador e nem roleta nos ônibus, você é quem passa seu cartão quando entra e se não tem cartão paga diretamente ao motorista (vez ou outra tem gente fazendo fiscalização para ver se está todo mundo com a passagem ou o cartão). E no metrô não existe “motorista”, somente um ou dois funcionários dentro da estação para verificar se todo mundo está passando o cartão na roleta – os metrôs são controlados remotamente.

Dentro do ônibus, em direção ao alojamento!

Por fim, chegamos ao alojamento, pegamos a chave dos nossos quartos e fomos descansar, estávamos exaustos… Mal consegui dormir devido ao fuso horário que ainda não estava acostumado (cinco horas a mais em relação ao horário de Brasília), acabei passando a noite tirando as coisas da mala e colocando tudo no lugar…

Abraços a todos e até breve!!!

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Postando diretamente da França!!!

Bonjour! Cheguei à França no dia 7, quarta-feira ultima, ocorreu tudo bem. No momento estou sem acesso à internet e escrevo de uma lan house. Assim que tiver meios de comunicacao – celular e internet – postarei novidades… Tenho conseguido me comunicar bem e até agora esta tudo dando certo. Desculpem-me pelos erros de portugues, mas é que o teclado frances é completamente diferente do brasileiro… Até breve!!!

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Arrumando a mala!

É amanhã o dia do meu voo! Comecei a arrumar a mala já tem uns dias e vou deixar algumas dicas juntamente com uma checklist - lembro às mulheres que essa checklist está tendenciosa para o sexo masculino por motivos óbvios.


  • Documentos (todos os originais na mala de mão)
  1. carta de aceitação da universidade de destino;
  2. comprovação de lugar para ficar (no meu caso será o documento enviado pela universidade – admission en logement universitaire);
  3. passaporte/visto;
  4. formulário preenchido (é o mesmo que será  entregue pelo consulado juntamente com o passaporte/visto);
  5. cartão internacional de vacinas;
  6. cartões (VTM, Fitta, cartão de crédito – lembrando de levar os comprovantes de recarga e de saldo);
  7. dinheiro (lembrando de levar os comprovantes de compra);
  8. seguro-saúde;
  9. endereço do consulado mais próximo ao lugar onde for residir.

Lembre-se de deixar todos os documentos escaneados e também xerocados com seus pais, para qualquer eventualidade. E deixe um jogo de cópias dentro da sua mala que será despachada.

  • Mala
  1. etiqueta de identificação;
  2. sapato/tênis e chinelo;
  3. roupas íntimas e meias;
  4. calças e bermudas;
  5. blusas e camisas;
  6. pijama (se quiser);
  7. saias, vestidos e acessórios (se for o caso);
  8. casacos (vá vestindo – ou leve na mão – o mais pesado);
  9. luvas, cachecol e gorro;
  10. bolsa/mochila;
  11. toalha de banho e de rosto;
  12. pano de prato.
  • Produtos de higiene e outros
  1. escova, pasta de dentes* e fio dental;
  2. pente e escova de cabelo;
  3. cotonete, algodão;
  4. hidratante*;
  5. shampoo/condicionador*;
  6. sabonete;
  7. desodorante*
  8. filtro solar e protetor labial;
  9. barbeador*;
  10. perfume*;
  11. cortador de unhas*.

* Levar na bagagem que será despachada!

  • Remédios
  1. Vá ao seu médico que você está acostumado para ir, ele lhe dará a receita com os principais medicamentos que você deverá levar – lembre-se de levar a receita. Se um determinado remédio for líquido e se a embalagem ultrapassar 100 ml, o remédio deverá ser levado na bagagem de porão (mala despachada);
  2. deixe na bagagem de mão somente os remédios necessários para uso durante a viagem;
  3.  procure saber como proceder em casos especiais (insulina, por exemplo).
  • Outros
  1. máquina fotográfica, celular e notebook (leve também os carregadores e as baterias. Cuidado pra não despachá-los na bagagem de porão, aconselho levá-los na bagagem de mão);
  2. adaptador de tomada (pesquisar o padrão utilizado);
  3. porta-dólar;
  4. cadeado (padrão utilizado nos aeroportos: usar somente um na bagagem a ser despachada – na abertura principal – nos outros fechos, utilize daqueles lacres encontrados em papelarias)**;
  5. guarda-chuva;
  6. lista de telefones e endereços úteis;
  7. por último, mas não menos importante, material a ser utilizado na faculdade: dicionário, estojo, livros e cadernos (evite excessos, se possível, tente comprar os cadernos no país de destino, para não precisar levar peso demais);

** Esse cadeado utiliza um padrão internacional que, se for necessário, poderá ser aberto com uma chave mestra. Isso pode acontecer no caso de quererem verificar o conteúdo da sua mala – será feito somente por pessoas autorizadas no aeroporto – se você utilizar cadeado comum, poderá ter o cadeado arrombado.

Leve na mala de mão todos os documentos e objetos de valor, uma muda de roupas (inclusive íntimas) – para quaisquer eventualidade – e um livro para ler, se quiser.

NÃO poderá ser levado na bagagem de mão: objetos cortantes e inflamáveis (incluindo aerossóis), plantas/sementes, alimentos como frutas, carnes e laticínios.

Todos os produtos líquidos que tiverem mais de 100 ml deverão ser despachados na bagagem de porão.

Dicas: se possível leve somente uma mala, pois você certamente irá querer voltar com muitas coisas e como tem direito a viajar com duas malas de 32 kg (em geral, confirme o que é permitido com a sua companhia aérea), você terá uma mala de folga quando retornar. Roupas de cama (caso decida levar), toalhas e pano de prato: leve os que estiverem mais velhos, pois você poderá deixá-los para trás no momento de voltar, sobrando mais espaço na sua mala para outras coisas!

Enfim, depois de anos de batalha chega o dia da minha viagem. Os próximos posts serão escritos e postados diretamente de território europeu e aviso de antemão que não levarei notebook e talvez eu demore um pouco até ter acesso para fazer o próximo post… Mas farei de tudo para postar o mais breve possível. Um grande abraço à todas aquelas pessoas que têm acompanhado o blog e também à todas aquelas que tem me apoiada e ajudado!

Au revoir les enfants!!!

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